Pulgas, Pulgas, Pulgas. Para qualquer lado que me vire encontro sempre uma. É à frente, é atrás, é em todo o lado, mas no colo é onde poisam. Perseguem-me. Fujo, escondo-me, mas encontram-me. São pequeninas e saltitam muito, dificilmente as agarro porque não param um minuto. Não há no mundo pulgas como estas, porque são: "As minhas Pulgas".

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Esta coisa dos sensores...

Ora eu sou rapariga que nasceu ainda Salazar era vivo e por conseguinte estas modernices bolem-me com os nervos e o sistema nervoso central entra em erupção.
Estava eu numa casa de um café quando os sensores apagam, sim, eu demoro muito na casa de banho mas sabem sou "dureira" como dizia a minha santa abuelita que era reles com'um touro.
Atão a p'ssoa tá sentada concentrada na obra (por aqui dizemos obrar), e tem de fazer sinagogas e abanar os braços como que a pedir socorro quando está no sítio que merece descanso e sossego?
E depois apaga e tem de fazer o serviço todo às escuras (e como estava negro mê dês!), e por mais que mexa os braços, as pernas, e faz que dança a Lambada não dá luz. E o papel? Onde raio está o papel?
Só depois quando abre a porta para sair é que descobre que os sensores estão fora da casa de banho na zona do lava-mãos. Mas isto tem cabimento?!
Uma p'ssoa tem de ir com as calças na mão à rua para ter luz na casa de banho?!

Fotografia: Ribeira Brava, cidade na zona oeste daMadeira

Vim de cesta cheia

Fui à horta (àquela que anda esquecida e que tenho descuidado a sua limpeza, rega e tratamento), e vim de coração cheio. Na cesta onde coloquei salsa, couve, pimpinela, tomate cacho, além dos que a foto reproduz: tomate cereja e tomate lagartixa, trouxe também uma certeza: mesmo que eu não cuide a natureza segue o seu ritmo. E eu agradeço...

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tenho de falar com ela mais vezes. Ela levanta-me o ego

As avós de agora são as raparigas do meu tempo de menina e de escola. Não nos encontrámos como mães mas reencontramo-nos como avós. Olho para as minhas amigas e vejo o quanto estamos fofinhas, redondas, rugosas, esbranquiçadas ou com tinta castanha, preta e as mais extravagantes de vermelho, mas felizes claro, a correr atrás dos netos.

Ora estava eu a "meter na jaca" (o mesmo que enfardar/comer) e olho para uma - a mais redonda de todas - comendo do mesmo...não do mesmo mas igual ao que eu estava a comer e, em jeito de brincadeira, digo-lhe: "Hoje ninguém se pesa. Proibido. E não há-de fazer mal, não achas? É por eles."
- Ah, pois tu queixas-te! ? Tu podes comer de tudo que não engordas, estás magra; sempre te conheci assim, eu é que sou uma bola, sempre fui gorda.
- Ó rapariga tens falta de vista! Eu engordei 10 quilos.- digo-lhe.
- Engordaste o quê, onde é que está "essa gordura". E mirava-me de cima abaixo com ar de de que diz: "parva, depois de velha deu-lhe. Eu é que sou gorda. Vê-se que quer tirar-me o lugar! ".
Ora bem, ou ela tem falta de vista agora ou tinha na adolescência! É que engordei dez quilos que por mais que os esconda eles fazem questão de me lembrar que estão embutidos por este pedaço de corpo acima!

Depois disto, e como ela disse que não estou gorda (cegueta ela, caramba!) sabem o que fiz? Vinguei-me nas batatas fritas, por todas as vezes que me apeteceu devorar uma saca de quilo delas e não o fiz para não ganhar umas gramas. Sim, e também mostrar ao mê Gu-gu que sou mais rápida que ele na devoragem e, por isso, assentamos praça na mesa dos salgados.
Já agora vou ali buscar um saco daquelas de presunto...

Fotografia: Massaroco, planta endémica da região, no Pico do Areeiro.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Implicâncias. A destruição de um casamento

Esta história começa como outra qualquer. Uma história de amor, uma paixão.
Mas com o andar do tempo...
Era uma vez um marido que implicava com a mulher. Nada do que ela fazia estava certo, fosse nas actividades de vida diária, fosse no relacionamento entre amigos. Ela era alegre, bem disposta, mas a implicância dele provocava mal-estar. Tornou-se taciturna, triste. Estava farta. Farta de não ser compreeendida, de ser desajeitada, triste de não conseguir satisfazer, de ser diminuída, ostracizada por ele.
A sua prepotência martirizava-a. O desinteresse e o desprezo dele corroía-a.
Cansada das suas implicâncias resolveu desaparecer.

Ele procuro-a. Andou desorientado sem saber o seu paradeiro. Perguntava a todas as pessoas por ela. Adoeceu de dor. Uma dor infinita de culpa. Nunca a encontrou por muito que a procurasse. Ela desapareceu sem deixar rasto.
Hoje, na cama grande e fria da sua casa grande e fria ele pensa nela. Tateia o seu espaço na cama mas o lugar, outrora quente e húmido, está frio.
Ela também. Fria mas feliz. Feliz como nunca conseguiu um dia estar. Feliz por ser uma mulher livre das implicâncias de um marido déspota e frio.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Tudo o que desce sobe tudo o que entra sai

Nestes últimos dias tenho rido muito, foi um fim de semana recheado de boas energias, família reunida, passeios pela ilha, mas...
Tudo o que desce sobe tudo o que entra sai. O avião que desceu e pousou na quinta levantou hoje e os que entraram na minha mansão saíram. Entraram quatro numa assentada e hoje foi dia de despedida. Tudo o que entra sai e leva um pouco de nós.

É mais forte do que eu e ainda não consigo despedir-me sem derramar aquele líquido precioso que Nero guardava numa pipeta. Assim que o avião levanta baixa uma corrente delas.
Agora só, orgulhosamente, só vou entreter-me a limpar, sacudir, esfregar e resta-me pouco tempo para brincar. Só assim esqueço que durante uns dias fui mãe-pata com os patinhos atrás.

Fotografia: Ponta de São Lourenço, península a este da ilha da Madeira, onde se avista a sul as Desertas e a norte a ilha do Porto Santo

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Para onde é que ela vai?

Chego à lavandaria e vejo a máquina de lavar roupa - a tal que faz tudo desde esticar a encolher - a correr. Esperei para ver o jeito dela e pensei cá comigo: "deve ir à tasca do Bexiguento mas está, redondamente, enganada". Não que eu não permita, por mim até pode, mas ainda não a vi dar grandes passeios, só de aqui para ali e mainadinha".
Deixei um instante mais, sempre atenta a ela, não vá a estapilha da máquina meter-se a descer três lances de escadas.
Esperei. Enquanto pôde lá foi a toda a velocidade até que parou.
- Paraste? - Perguntei-lhe. - Tens medo. Ah, atão era isso!- Ainda lhe disse.
E voltei a chamar à atenção da menina e a ameaçar que é a última vez que vou buscá-la à porta da entrada e a dar-lhe a mão até ao sítio de onde nunca devia ter saído.
"Agora de castigo vais lavar enquanto não chega o dia do Juízo Final e sem sair do lugar, canão...."
Nem lhe disse que depois da afronta de borrar os meus lençóis brancos de rosa choque, de ter encolhido um casaco que eu estimava tanto e que nem nos nenucos das minhas Pulgas serve, além de ter perdido meia dúzia de meias e cuecas que estou a pensar em mandá-la a Marrocos que fica mesmo em frente à minha casa, numa viagem sem camebaque (em inglês, pelise).
Mas ela nem sonha!